Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

A solidão...na meia-idade!(13)

Viver acompanhado...mas só! (1ªparte)

Não há forma mais humilhante de vivermos a nossa vida, que estarmos sós, mas em companhia de alguém. É de uma violência insuportável! É um suplício...É uma situação em que nos colocámos, ou nos deixámos colocar, que só nos pode trazer sofrimento, solidão e desespero! -Uma raiva imensa que vai tomando conta de nós, envenenando-nos!

- Normalmente, não se acorda um dia pela manhã e, sem nos darmos conta, estamos no reino da solidão acompanhada! Ela advém de um processo longo, como longa é já a nossa existência..., na altura em que a constatamos.

Acontece aos poucos e aos poucos se vai instalando; qual doença fatal, que camufla enquanto pode os seus sintomas e sinais, mas que quando se revela, raramente nos deixa voltar a ter a qualidade de vida que outrora sentimos ou sonhámos! Começamos então, a nossa fase de sofrimento, luta e aceitação: - A solidão acompanhada é uma «doença» de alma que assolou a estabilidade de um casal, onde a intimidade e a cumplicidade se perderam.

 - Ela está lá, embora não a vejamos ainda claramente...

- Um desconforto aqui, uma discussão ali, uma desconsideração além, e, um dia reparamos que, do nosso inicial projecto de felicidade em comum – com o nosso companheiro ou companheira – guardamos somente a memória distante do que sonháramos então, mas não se tornou possível!

- Tal bênção não aconteceu e estamos desesperadamente sós! Entrámos de cabeça no reino afunilado, da solidão a dois!

Olhamos em redor e pensamos que nada podemos já fazer! Sentimo-nos perdidos, incapazes e dependentes de uma “estabilidade” que não existe. Vivemos uma vida de aparências que não é mais que sofrimento; vontade de fugir e incapacidade para o fazer.

- Todas as noites quando nos deitamos ao lado da pessoa que frustrou as nossas expectativas – na insónia do nosso descontentamento – magicamos etapas de evasão fictícias, que nos levarão, no dia seguinte, para longe dali! - Para a terra da salvação!

Mas, com o nascer de mais um dia, essa “coragem” esvai-se e sucessivamente, o nosso projecto de busca da felicidade, permanecerá adiado - sempre e para sempre. É um pára e arranca, sem nada se mexer! Estamos irremediavelmente presos ao mesmo lugar, pessoa e contexto -qual condenação que nos impusemos!

Somos acometidos de medos diversos que nos tolhem os sentidos e nos incapacitam as tomadas de decisão.

Passamos horas em solilóquios repetidos e repetitivos, que nos tornam os dias num inferno e nos cozem a alma em lume brando!

- Que fazer depois de uma ruptura? Como enfrentar uma nova vida? Que dirão os outros? Como conseguirei viver sozinho? Com quem passarei férias? Como sobreviverei só com o meu ordenado? Quem irá gostar de mim novamente? E os filhos? Que dirão os filhos? E as famílias – a quem se unirão? Qual reprovarão? E os vizinhos? E os colegas?...

Com tantas perguntas, deixamo-nos soterrar pelo nosso contexto e vamos mantendo aquela vida medíocre e ressabiada, entre muros de solidão acompanhada, que nos consumirá por inteiro as entranhas e nos tornará descrentes na existência de qualquer espécie de bondade numa vida a dois em comum e, debaixo do mesmo tecto! Passámos a viver uma vida de aparências! Somos agora uns tristes e infelizes«sós» acompanhados.

- No entanto, mesmo sabendo disso, continuamos lá, quais escravos; sempre ansiando pela liberdade a conquistar; sempre recusando saltar a cerca, mesmo ali ao alcance de um gesto nosso...

...

sinto-me: apressada!
publicado por mcm às 10:39
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