Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Coração de pedra...

Não sei porquê mas as coisas não se acertavam entre nós.

Éramos agora, dois seres, em rota de colisão.

Iríamos colidir a qualquer momento; explodir; desintegrar-nos...

- Saltar no nada, aos pedacinhos, para o abismo.

Não sei o porquê do nosso desacerto na cama e fora dela; não sei o porquê de quase nunca já, sentir desejo por ti; não sei o porquê de te odiar; de quase sentir que, em determinados dias, quase me apetecia matar-te. Que era capaz de matar-te...

E todas essas dúvidas, a martelarem-me constantemente na cabeça, me traziam à beira da loucura. E faziam com que te pusesse à beira da loucura:

- Estávamos num perfeito ninho de víboras, agora, e desde que me violentáste pela primeira vez.

Aquele romance explosivo que tivéramos estava findo; extinto; morto.

Dele só restavam, já, as minhas dúvidas; as tuas represálias; os nossos constantes confrontos, desprezos,  ou alheamentos.

E nesses momentos tudo ficava muito á beira do abismo; à beira dum fim!

Quando à força me obrigavas a deitar-me contigo; a fazer sexo contigo; a colaborar nesse acto selvagem e violento, contigo, eu ficava revoltada; quase uma criminal.

Tu, possesso e de pupilas dilatadas, em cima de mim, parecias-me, quando te olhava, com os meus olhos cheios de ódio, um condenado no corredor da morte:

- Estavas com data e hora marcada, para saíres da minha vida, para sempre.

Tu não sabias do que eu era capaz; do que eu magicava fazer contigo; do que eu sofria contigo.

Mas, cá no fundo; bem no fundo da minha essência, eu sabia que jamais te mataria - não teria essa coragem.

E assim, desta forma mais que sincera, te confesso que, se estás vivo ainda, é somente porque eu sou uma pessoa do controlo, absoluto, sobre os meus pensamentos mais sórdidos.

- Jamais conseguiria fazer aquilo que condeno.

A vida de alguém, mesmo que a não mereça, é sempre um bem precioso que temos que preservar.

- Mas o meu autocontrolo não te iliba do meu ódio, por ti.

E  este sentimento é agora tão forte como o Amor que tivemos antes.

Neste momento odeio-te do fundo do meu coração.

- Um coração em pedra; um coração feito do ódio que sinto por ti.

As pessoas mudam muito; nós dois, não fugimos a essa regra.

sinto-me: uma lamechas...
publicado por mcm às 10:57
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2 comentários:
De Anónimo a 3 de Dezembro de 2010 às 11:40
Mais uma vez, consegue chegar "lá", onde pretende, de forma inteligente.
Há aqui subjacente um apelo: afinal,quando "tudo termina", no que aos bons sentimentos que durante algum, muito ou pouco tempo, não interessa, uniram duas pessoas, não devem ser gerados sentimentos opostos, de menor valor. O ódio é a negação do ser humano, ele, só por si, já é um "acto de morte", tal como o sentimento da "indiferença".
E os seres humanos, indiferentemente do género, mas especialmente os seres do género feminino, manipulam muito bem estes dois "sentimentos", que muitas vezes têm consequências dramáticas, que todos conhecemos.
A inteligência deve ser chamada a intervir, para resolver diferenças incómodas e de vivência insolúvel, antes que estes sentimentos se instalem. Ninguém é obrigado, por lei ou por qualquer outra determinação, a viver com quem não gosta, não sente conforto espiritual, sentimental ou de prazer.
Parabéns!
Obrigado pela provocação!
Espero que tenha muitas participações!
Alex
De mcm a 3 de Dezembro de 2010 às 18:47
Mesmo nas situações mais desesperadas o Ser Humano pode sempre optar pelo caminho da sua redenção, antes de se deixar precipitar no abismo.
As relações amorosas têm estas nuances:
- Podem ir de uma lado ao outro em dois tempos.
Um dia ama-se; no outro odeia-se.
Há que escolher o caminho do meio:
- O caminho que dá para se seguir em frente.
Mt obrigada pelo seu comentário.
Fique bem

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